A saga do Master continua

buenos dias manada

Bom dia, no Money Docs de hoje você vai ver:

PF e o Master

— Corrida dos trilhoes das Bigtechs

— Haddad deixa a fazenda

— AgiBank pede IPO

—Stablecoins

Money Docs, Edição número 116 de quinta-feira, 15/01/2026

PF avança contra fraude bilionária do Master

ECONOMIA

A Polícia Federal apertou o cerco contra o que pode ser um dos maiores esquemas de fraude do sistema financeiro brasileiro. Na manhã de hoje (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados.

📊 Os números impressionam

O Supremo Tribunal Federal autorizou o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Para colocar em perspectiva: esse montante equivale ao orçamento anual de algumas capitais brasileiras.

🎯 No radar da PF

As buscas miram endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e familiares. O banqueiro já estava preso desde novembro de 2024, quando a primeira fase da operação foi deflagrada.

Os alvos estão espalhados por São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

⚖️ Do que trata a investigação

A PF apura um esquema sofisticado que envolve:

  • Emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras regulamentadas

  • Gestão fraudulenta de recursos

  • Manipulação de mercados

  • Lavagem de capitais

  • Atuação de organização criminosa

O caso é particularmente grave por envolver instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional, ou seja, entidades que deveriam operar sob fiscalização e dentro das normas do Banco Central.

💡 Por que isso importa

Quando instituições financeiras regulamentadas emitem títulos falsos, o impacto vai muito além dos prejuízos diretos. A confiança no sistema financeiro como um todo fica comprometida, afetando desde pequenos investidores até grandes operações de crédito.

A corrida dos US$ 3 trilhões: Big Techs apostam tudo em data centers

NEGÓCIOS

Enquanto todo mundo fala de IA, uma revolução silenciosa está acontecendo nos bastidores: a maior corrida por infraestrutura física da história da tecnologia. E os números são estratosféricos.

🏗️ US$ 3 trilhões até 2030

Relatório da Moody's Ratings divulgado segunda-feira (12) projeta que os investimentos globais em data centers devem ultrapassar US$ 3 trilhões (R$ 16,1 trilhões) até 2030.

Para colocar em perspectiva: esse valor equivale ao PIB inteiro da França, quinta maior economia do mundo.

O que está sendo construído:

  • Servidores e equipamentos de computação

  • Instalações físicas dos data centers

  • Expansão massiva de capacidade energética

⚡ A energia é o gargalo

Aqui está o ponto que muita gente ignora: IA generativa e computação em nuvem não consomem apenas processamento — consomem energia. Muita energia.

Segundo a Moody's, a expansão da capacidade energética é uma das principais frentes de investimento. Data centers modernos chegam a consumir tanta energia quanto pequenas cidades, e a demanda só aumenta conforme modelos de IA ficam mais complexos.

🚀 Apenas seis empresas vão investir US$ 500 bi em 2026

Os chamados "hyperscalers" — gigantes que operam infraestrutura em nuvem em escala global — estão liderando essa corrida:

Os seis grandes:

  • Microsoft

  • Amazon

  • Alphabet (Google)

  • Oracle

  • Meta

  • CoreWeave

Números impressionantes:

  • 2026: US$ 500 bilhões (R$ 2,68 trilhões)

  • 2027: projeção de US$ 600 bilhões (R$ 3,22 trilhões)

Isso significa que essas seis empresas sozinhas vão investir em 2026 o equivalente a metade do PIB brasileiro inteiro.

📊 Como o dinheiro será distribuído

A Moody's detalhou a divisão dos investimentos totais de US$ 3 trilhões:

Construção física dos data centers:
US$ 700 bilhões a US$ 1 trilhão (33% do total)

  • Obras civis

  • Sistemas físicos das instalações

  • Infraestrutura de refrigeração e segurança

Equipamentos e operação:
US$ 2 trilhões a US$ 2,3 trilhões (67% do total)

  • Servidores e processadores

  • Sistemas de armazenamento

  • Infraestrutura de rede

  • Sistemas de energia e backup

🎯 Quem ganha com essa corrida?

Empresas de construção civil especializada: Poucos players globais têm expertise para construir data centers de última geração.

Fornecedores de equipamentos: Nvidia (chips), Dell/HPE (servidores), Vertiv (refrigeração e energia).

Utilities e energia: Empresas de energia renovável que conseguirem contratos de longo prazo com hyperscalers.

Real estate industrial: Terrenos bem localizados com acesso a energia abundante estão se valorizando rapidamente.

⚠️ Os riscos estruturais

Capacidade energética: Muitos países simplesmente não têm infraestrutura de energia para suportar essa expansão. Isso pode criar gargalos regionais e concentração geográfica ainda maior.

Sustentabilidade: Data centers são devoradores de energia. A pressão por fontes renováveis está crescendo, mas a transição é cara e lenta.

Retorno sobre investimento: US$ 3 trilhões é muito dinheiro. Se a adoção de IA e nuvem não crescer no ritmo esperado, haverá capacidade ociosa e prejuízos bilionários.

Obsolescência tecnológica: Com ciclos de inovação cada vez mais rápidos, há risco de infraestrutura cara se tornar obsoleta em poucos anos.

💹 Oportunidades para investidores brasileiros

Ações de utilities com foco em energia renovável: Data centers precisam de energia limpa e confiável.

ETFs de tecnologia global: Exposição indireta aos hyperscalers que estão liderando essa corrida.

REITs especializados em data centers: Fundos imobiliários americanos focados em infraestrutura digital (Digital Realty, Equinix).

Fornecedores de componentes: Empresas como Nvidia, AMD, TSMC que fornecem os chips que alimentam essa infraestrutura.

Haddad deixa a Fazenda ainda em janeiro

ECONOMIA

A bomba foi soltada em entrevista à Míriam Leitão: Fernando Haddad confirmou que sai do Ministério da Fazenda ainda este mês. A sucessão já está sendo costurada, e tudo indica que o secretário-executivo Dario Durigan deve assumir a cadeira mais importante da Esplanada dos Ministérios depois da Presidência.

🗓️ O timing é estratégico

Haddad explicou a lógica: quem assumir precisa trabalhar o ano inteiro para lidar com Orçamento e questões fiscais. Trocar ministro no meio do ano seria jogar contra a estabilidade econômica que tanto custou a construir.

A data exata ainda depende de conversa com o presidente Lula, mas a saída em janeiro já está praticamente definida.

👔 Quem é Dario Durigan?

Haddad não confirmou oficialmente, mas disse torcer pelo seu número 2. E fez questão de destacar: Durigan tem muito trânsito na Esplanada — qualidade essencial para quem precisa negociar com Congresso, Banco Central e outros ministérios.

Perfil de Durigan:

  • Secretário-executivo da Fazenda (o cargo mais alto depois do ministro)

  • Economista com passagem pela Secretaria da Fazenda de São Paulo

  • Reconhecido pela capacidade técnica e habilidade política

  • Já está por dentro de todos os desafios e negociações em andamento

🎯 Os desafios do sucessor

Quem assumir a Fazenda herdará três missões críticas:

1. Emendas parlamentares: Haddad disse não acreditar em problemas com o veto a parte das emendas no Orçamento de 2026 (que será publicado amanhã). Mas sabemos que Congresso e Executivo têm visões bem diferentes sobre isso.

2. Meta fiscal: O governo promete cumprir a meta de déficit zero em 2025, mas o mercado permanece cético. Qualquer deslize pode pressionar câmbio e juros.

3. Reformas estruturais: A agenda de reformas microeconômicas (administrativa, tributária em andamento) precisa de continuidade para sustentar crescimento no médio prazo.

📊 O legado de Haddad

O ministro fez questão de destacar seu principal feito: redução de 70% no déficit público desde que assumiu em 2023.

Contexto: Quando Haddad entrou, o déficit estava na casa de R$ 230 bilhões (2022). A trajetória de queda é inegável, embora críticos apontem que parte disso veio de aumento de receitas (impostos) em vez de corte estrutural de gastos.

Outros pontos do legado:

  • Reforma tributária aprovada no Congresso

  • Novo arcabouço fiscal implementado

  • Relação institucional relativamente estável com o mercado (apesar de turbulências pontuais)

💹 O que esperar para os mercados?

A princípio, continuidade. Se Durigan for confirmado, não há razão para pânico ou euforia — ele já participa de todas as decisões importantes e conhece profundamente a estratégia econômica do governo.

Pontos de atenção:

  • Dólar: Pode ter volatilidade pontual durante o anúncio oficial, mas tende a se estabilizar rapidamente se Durigan for confirmado

  • Juros: A política fiscal continuará no radar do Banco Central, independente de quem esteja na Fazenda

  • Bolsa: Empresas sensíveis a política fiscal (bancos, varejo, construção) podem reagir ao perfil do novo ministro

⚠️ Os riscos da transição

Toda troca de ministro da Fazenda traz incertezas, mesmo em transições planejadas:

Curva de aprendizado: Mesmo que Durigan conheça tudo internamente, assumir a cadeira principal é outro nível de pressão política e exposição pública.

Negociações em andamento: A relação com o Congresso precisará ser reconstruída com o novo rosto à frente da Pasta.

Sinal para o mercado: Investidores estarão atentos aos primeiros discursos e sinalizações do novo ministro. Qualquer mudança de tom pode gerar volatilidade.

💡 O que isso significa para você

Para investidores: Fique atento aos primeiros sinais do novo ministro sobre compromisso fiscal. A manutenção da credibilidade da Fazenda é essencial para a trajetória do dólar e dos juros.

Para o mercado em geral: Continuidade é a palavra-chave. Se Durigan assumir, não espere grandes surpresas ou mudanças de rota — o que pode ser positivo em um momento de incertezas globais.

Agibank quer abrir capital nos EUA

NEGÓCIOS

O Agibank oficializou hoje (14) seu pedido de IPO na bolsa de Nova York. A fintech gaúcha se prepara para se juntar ao clube seleto de fintechs brasileiras listadas nos EUA — e os números mostram que ela tem credenciais para isso.

💰 Uma operação de peso

A coordenação do IPO reúne alguns dos maiores nomes do mercado financeiro global:

Coordenadores principais:
Morgan Stanley, Citigroup, Bradesco BBI e BTG Pactual

Coordenadores adicionais:
Itaú BBA, Santander, Société Générale, XP Investments e Oppenheimer

Quando você vê nove bancos desse calibre organizando uma operação, é sinal de que o tamanho da oferta deve ser significativo. O pedido foi feito pela holding AGI Inc à SEC (órgão regulador dos mercados norte-americanos), com listagem de ações classes A e B sob o código AGBK.

📊 Os números impressionam

Dados de janeiro a setembro de 2025:

  • 6,4 milhões de clientes ativos

  • R$ 34 bilhões em carteira de crédito

  • R$ 875 milhões de lucro líquido

  • 41% de retorno sobre patrimônio líquido (ROE)

Esse ROE de 41% merece destaque. Para comparação, bancos tradicionais brasileiros costumam ter ROE entre 15% e 20%. O Nubank, referência entre as fintechs, registrou ROE de cerca de 26% no terceiro trimestre de 2024.

🇺🇸 O clube exclusivo das fintechs brasileiras

Com o IPO, o Agibank entrará para um grupo seleto de empresas brasileiras do setor financeiro listadas nos Estados Unidos:

  • Nubank (NU) - maior banco digital do mundo em número de clientes

  • XP (XP) - maior corretora independente do Brasil

  • Inter (INTR) - banco digital completo

  • PagBank (PAGS) - braço financeiro do PagSeguro/UOL

  • StoneCo (STNE) - soluções de pagamento

💡 Por que listar nos EUA?

A escolha pela NYSE não é por acaso:

Valorização: Fintechs listadas nos EUA tendem a receber múltiplos mais altos que na B3, com investidores mais acostumados ao modelo de negócio digital.

Liquidez: O mercado americano oferece volume de negociação muito superior, facilitando entrada e saída de grandes investidores.

Visibilidade global: A listagem em Nova York coloca a empresa no radar de fundos internacionais que não investem em mercados emergentes menores.

Moeda forte: Captar em dólar protege a empresa contra volatilidade cambial e permite usar os recursos para expansão internacional.

🎯 O que esperar agora

O processo de IPO nos EUA costuma levar alguns meses após o registro na SEC:

  1. Análise regulatória - a SEC revisa os documentos e pode pedir ajustes

  2. Roadshow - executivos apresentam a empresa para investidores institucionais

  3. Precificação - definição do preço das ações com base na demanda

  4. Estreia - primeiro dia de negociação na NYSE

Enquanto isso não acontece, fique atento ao valuation e à recepção do mercado. O momento não é dos melhores para IPOs de fintechs globalmente, mas os fundamentos do Agibank — especialmente aquele ROE de 41% — podem fazer a diferença.

⚠️ Pontos de atenção

Concorrência acirrada: O mercado brasileiro de crédito está cada vez mais competitivo, com Nubank, Inter e outros expandindo suas operações.

Regulação: Mudanças nas regras do Banco Central podem impactar margens e modelo de negócio.

Cenário macro: Juros altos no Brasil favorecem o negócio de crédito, mas também aumentam inadimplência. A sustentabilidade desse ROE de 41% dependerá da qualidade da carteira.

Stablecoins devem movimentar até US$56 tri até 2030

CRYPTOS

Segundo projeção divulgada pela Bloomberg, os fluxos globais de pagamentos com stablecoins podem alcançar US$ 56,6 trilhões até 2030. Em 2025, o volume já bateu US$ 33 trilhões — alta de 72% em relação a 2024.

Os números que você precisa saber:

  • Volume em 2025: US$ 33 trilhões

  • Projeção pra 2030: US$ 56,6 trilhões

  • Crescimento anual composto: ~81% ao ano

  • Ponto de partida (2024): US$ 2,9 trilhões

Traduzindo: stablecoins saíram da categoria "coisa de nerd" e entraram pra disputa direta com meios tradicionais de pagamento (SWIFT, cartões, remessas bancárias).

*OBS: Você pode aprender o que é Stablecoin clicando aqui

O Brasil já tá DENTRO:

O impacto no Brasil é gigantesco:

  • ~90% do volume cripto negociado no país envolve stablecoins

  • Entre julho/2024 e junho/2025: brasileiros movimentaram R$ 318,8 bilhões em cripto

  • Isso representa quase 1/3 de toda a América Latina

Por que brasileiros usam tanto stablecoin?

A resposta tá no câmbio:

  • Em 2025, o dólar variou entre R$ 5,40 e R$ 5,80

  • Volatilidade do real faz brasileiro buscar proteção em dólar

  • Stablecoins são a forma mais rápida/barata de "dolarizar" patrimônio sem abrir conta no exterior

Casos de uso crescendo:

Stablecoins não são mais só pra trading. Hoje, servem pra:

1. Remessas internacionais:

  • Enviar dinheiro pro exterior sem taxas absurdas de banco

  • Receber pagamentos de fora instantaneamente

2. Proteção cambial:

  • Segurar "dólares digitais" quando o real tá caindo

  • Evitar perda de poder de compra

3. Pagamentos internacionais:

  • Empresas pagando fornecedores no exterior

  • Freelancers recebendo em dólar

4. DeFi (finanças descentralizadas):

  • Emprestar stablecoins e ganhar juros

  • Usar como garantia pra outros investimentos

5. Pressão de bancos centrais:

  • CBDCs (moedas digitais de bancos centrais) podem competir

  • Governos podem restringir uso de stablecoins privadas

E o Drex nisso tudo?

O Drex (moeda digital do Banco Central brasileiro) pode competir com stablecoins no futuro, mas:

  • Drex será real digital, não dólar

  • Stablecoins oferecem dolarização, que é o que brasileiro quer

  • Drex tem vantagem em integração bancária, mas perde em proteção cambial

Como fechou os mercados em 14/01/2026

🇧🇷Ibovespa: 164.593,23 pts

💸Dólar: R$5,39

📉S&P500: 6924,50 pts

🇪🇺Euro: R$6,29

Bitcoin: R$525.1K

💲Etherium: R$16.9K

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