BRB pede socorro

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Bom dia, no Money Docs de hoje você vai ver:

BRB pede socorro

— NYSE e blockchain

— Notion chega no Brasil

— Elon Musk e OpenAI

—Stablecoins

Money Docs, Edição número 117 de quinta-feira, 20/01/2026

BRB pede socorro urgente ao governo do DF

ECONOMIA

O Banco de Brasília (BRB) pediu aportes financeiros urgentes ao Governo do Distrito Federal para manter as operações funcionando. A informação, acende um alerta vermelho sobre os desdobramentos da Operação Compliance Zero e a compra frustrada do Banco Master.

💰 Quanto vai custar?

O BRB ainda está calculando o tamanho do rombo, mas os números preliminares já assustam:

Estimativa inicial: entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões
Tendência: o valor pode aumentar conforme avança a auditoria independente

Quem está fazendo a conta: O escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll, conduz uma auditoria independente para dimensionar o estrago. Enquanto isso, o Banco Central também acompanha de perto a situação.

🔍 A origem do problema: carteiras fantasmas

Durante as investigações da Polícia Federal, descobriu-se que o Banco Master teria vendido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB.

Leia de novo: inexistentes. Créditos que simplesmente não existiam.

Isso significa que o BRB pagou bilhões por ativos que eram, essencialmente, ar. O rombo pode ser ainda maior que os R$ 4 bilhões inicialmente estimados, já que essa fraude representa uma operação muito mais ampla.

🏛️ Quem paga a conta?

O Governo do Distrito Federal é o acionista majoritário do BRB, com 53,71% das ações totais. Na prática, quem vai bancar o salvamento do banco é o contribuinte do DF.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) já declarou anteriormente que faria o necessário para resolver os problemas do banco relacionados à tentativa de compra do Master. Agora, essa promessa está sendo testada na prática.

⏰ Por que a urgência?

O BRB não está pedindo dinheiro para o ano que vem — está pedindo com "certa urgência" para manter as operações funcionando agora.

O que o banco tentou primeiro: Na semana passada, o BRB se reuniu com o liquidante do Master numa tentativa de reaver os recursos. O problema é que esse dinheiro pode demorar a cair (se é que vai cair algum dia).

Enquanto espera, o banco precisa honrar suas obrigações regulatórias e operacionais. Daí a necessidade de aporte imediato.

🎲 Plano B: fusão ou venda?

O BRB não descarta "outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do banco". Traduzindo: está tudo na mesa, incluindo:

  • Junção com outras instituições financeiras

  • Venda parcial ou total do controle

  • Entrada de novos sócios estratégicos

Contexto importante: Quando um banco público de porte médio começa a falar em "instrumentos alternativos" e "junção com outras instituições", geralmente significa que a situação é mais grave do que os números oficiais indicam.

📊 A versão oficial do BRB

Em nota, o banco informou que "segue sólida, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros".

NYSE vai funcionar 24/7 com blockchain e stablecoins

NEGÓCIOS

A maior bolsa de valores do mundo acaba de anunciar que vai criar uma plataforma para negociar ativos tokenizados. Sim, você leu certo: a tradicional NYSE, com mais de 200 anos de história, vai operar com blockchain, stablecoins e funcionamento 24/7.

Isso não é mais experimento — é Wall Street oficialmente entrando na era on-chain.

🚀 Como vai funcionar

A NYSE anunciou nesta segunda (19) o desenvolvimento de uma bolsa digital que promete revolucionar o mercado tradicional de ações:

Funcionamento 24/7: Diferente do modelo atual (que fecha às 17h e não abre nos fins de semana), a nova plataforma operará continuamente.

Liquidação instantânea: Usando blockchain e stablecoins, as transações serão liquidadas imediatamente — não em 2 dias úteis (T+2) como hoje.

Ordens em dólar: Você poderá comprar US$ 100 em ações da Apple, em vez de ter que calcular quantas ações isso representa.

Capital tokenizado: As operações serão financiadas por stablecoins (criptomoedas atreladas ao dólar), eliminando etapas de compensação bancária.

💡 Por que isso importa

Vamos colocar em perspectiva o que muda:

No modelo atual:

  1. Você compra uma ação na segunda às 10h

  2. A ordem é executada na hora

  3. Mas só é liquidada na quarta-feira (T+2)

  4. Nesse meio tempo, há risco de contraparte e capital parado

No modelo tokenizado:

  1. Você compra uma ação tokenizada usando stablecoins

  2. Execução e liquidação acontecem simultaneamente

  3. Você é dono do ativo instantaneamente

  4. Pode vendê-lo segundos depois se quiser

Ganhos práticos:

  • Redução de risco de contraparte

  • Maior eficiência de capital

  • Menos intermediários (menos custos)

  • Acesso global 24/7 sem depender de fusos horários

🏦 Wall Street está entrando de vez

A novidade da NYSE não é isolada — faz parte de um movimento maior que ganhou força após a aprovação da GENIUS Act, lei sancionada por Donald Trump que regulamentou stablecoins nos EUA.

Desde então, os gigantes tradicionais estão se movendo:

Morgan Stanley:

  • Vai lançar ETPs (produtos negociados em bolsa) de Bitcoin e Solana

  • Liberou acesso a cripto para TODOS os clientes, não só high net worth

  • Até planos de aposentadoria poderão ter exposição a criptoativos

JPMorgan:

  • Aceita Bitcoin e Ethereum como garantia para empréstimos

  • Lançou MONY fund: primeiro fundo tokenizado de mercado monetário na Ethereum

  • Opera via plataforma própria Kinexys Digital Assets

BNY e Citi:

  • Trabalhando com NYSE para oferecer depósitos tokenizados em câmaras de compensação

  • Objetivo: permitir transferências fora do horário bancário tradicional

🔧 A infraestrutura híbrida

O desenho técnico é interessante:

Front-end (execução): Usa o mecanismo tradicional de negociação da NYSE, aquele que já funciona há décadas e todo mundo confia.

Back-end (liquidação): Blockchain multi-chain — ou seja, não está preso a uma única rede, pode operar em Ethereum, Solana, ou outras.

Acesso: Aberto para corretoras qualificadas de forma não discriminatória, seguindo os princípios regulatórios atuais.

Isso é estratégico: mantém a confiabilidade e robustez do sistema de negociação da NYSE, mas moderniza radicalmente a parte de pós-negociação.

⚖️ Ainda precisa de aprovação regulatória

A plataforma anunciada ainda está sujeita a aprovações regulatórias. Isso significa que a SEC (Securities and Exchange Commission) precisa dar o aval final.

Contexto importante: Com a aprovação da GENIUS Act e o posicionamento mais favorável da atual administração Trump em relação a criptoativos, as chances de aprovação parecem altas.

Mas ainda há perguntas em aberto:

  • Quais classes de ativos serão permitidas inicialmente?

  • Como funcionará a tributação?

  • Quais serão os requisitos de compliance para participantes?

Notion finalmente aterrissa no Brasil — e vem com planos de IPO

NEGÓCIOS

A ferramenta queridinha de fundadores, devs e times de growth está oficialmente no Brasil. A Notion montou operação local com dois executivos pesados e uma estratégia clara: conquistar desde startups até enterprises antes de abrir capital ainda em 2026.

👔 Quem está tocando a operação

A Notion trouxe dois executivos seniores para liderar a expansão:

Francisco Chang - Enterprise:

  • Quase 30 anos de experiência em canais e alianças

  • Passou por SAP, Oracle, Salesforce e Zendesk

  • Vai tocar o relacionamento com grandes empresas

Arthur Rozenblit - Startups e PMEs:

  • Ex-WeWork

  • Liderou por 3 anos o relacionamento da Zendesk com fundadores e VCs

  • Foco em startups e empresas de pequeno/médio porte

"O Brasil atingiu um nível de maturidade no qual fundadores estão construindo companhias mais estruturadas e pensando globalmente", explica Joshua Kim, líder de growth marketing da Notion.

🎯 Os 3 pilares da estratégia

1. Parcerias
Criar distribuição e valor compartilhado. Já anunciaram parceria com o Distrito oferecendo 6 meses gratuitos do Notion Business para startups.

2. Comunidade
Aproximação com fundadores e usuários ativos para troca de conhecimento. Presença em eventos do ecossistema como parte de estratégia contínua, não pontual.

3. Presença digital
Mostrar casos de uso reais e educar o mercado sobre como usar o produto de forma eficiente.

💰 IPO à vista: US$ 12 bilhões de valuation

A expansão no Brasil faz parte dos planos pré-IPO. A expectativa é que a Notion chegue à bolsa ainda em 2026, potencialmente acabando com a seca de listagens de SaaS.

Números da potencial oferta:

  • Captação esperada: US$ 200 milhões

  • Valuation: US$ 12 bilhões

  • Múltiplo: 18x a receita anual recorrente (ARR)

Contexto importante: Isso representa uma queda brutal versus as 322x da última captação em 2021, mas conta uma história de maturidade e saúde financeira.

"É o perfil de uma empresa pública. É o perfil da Datadog. É uma empresa precificada em fundamentos agora", explicou Jason Lemkin, fundador do SaaStr.

Comparações de mercado:

  • Figma: IPO em 2025 a 19x

  • Klaviyo: IPO em 2023 a 12x

  • Canva: precificada em 13x (candidata a IPO)

  • Databricks: precificada em 25x (candidata a IPO)

📊 Os números impressionam

Usuários e receita:

  • 100 milhões de usuários globalmente (80% fora dos EUA)

  • +4 milhões de usuários pagantes

  • US$ 600 milhões em receita em 2025 (+50% vs 2024)

  • Projeção: US$ 1 bilhão até o fim de 2026

Se bater US$ 1 bilhão em receita:
O valuation no IPO pode saltar para US$ 15-20 bilhões, segundo Jason Lemkin.

🤖 IA como rota de crescimento

Em setembro de 2025, a Notion apresentou sua entrada no mundo dos agentes de IA. A proposta é usar as páginas e bancos de dados dos usuários como contexto para gerar automaticamente:

  • Notas e análises de reuniões

  • Relatórios de avaliação de competidores

  • Páginas de feedback estruturadas

O dado surpreendente: Segundo Joshua Kim, usuários brasileiros estão entre os mais engajados do mundo quando o assunto é integrar IA nos fluxos de trabalho diários.

Isso torna o Brasil particularmente estratégico para a Notion nesse momento de aposta em agentes e automação.

🇧🇷 Por que agora? Por que Brasil?

A Notion já tinha tentado expandir no Brasil operando remotamente de San Francisco, mas percebeu rapidamente que precisava de presença local.

"O Brasil tem suas complexidades. É um mercado marcado por nuances culturais, desafios operacionais e uma forma particular de fazer negócio. Por isso decidimos investir em uma liderança local que entende o mercado, fala a língua e pode traduzir a estratégia global em realidade local", explica Joshua.

A aposta de longo prazo:
"Enxergamos o Brasil como uma oportunidade de longo prazo. Não como uma oportunidade de curto prazo", reforça o executivo.

No momento, a Notion não tem vagas abertas no Brasil, mas novas contratações e investimentos devem vir conforme a operação amadurece.

💡 O que isso significa para o ecossistema brasileiro

Para startups:

  • Acesso facilitado a uma ferramenta de classe mundial com parcerias locais (como a do Distrito)

  • Presença local significa suporte melhor e cases brasileiros

Para o mercado de SaaS:

  • Validação de que o Brasil está maduro o suficiente para operações dedicadas de grandes players

  • Sinal de que outras ferramentas globais podem seguir o mesmo caminho

Para profissionais de produto/growth:

  • Mais proximidade com a Notion pode significar eventos, conteúdos e networking com time global

  • Oportunidades futuras de contratação conforme operação cresce

Para investidores:

  • Um IPO de US$ 12-20 bilhões em 2026 pode reacender o mercado de SaaS

  • A Notion pode ser benchmark de como construir SaaS saudável em múltiplos razoáveis

Musk quer US$ 134 bilhões da OpenAI e Microsoft — e o julgamento é em abril

NEGÓCIOS

Elon Musk acaba de atualizar seu processo contra a OpenAI e Microsoft pedindo nada menos que US$ 134 bilhões (R$ 719 bilhões). O argumento? Ele merece os "ganhos indevidos" que ambas as empresas obtiveram graças ao seu apoio inicial quando cofundou a startup em 2015.

O julgamento começa em abril. E promete ser um dos casos mais relevantes da história da IA.

💰 A conta que Musk apresentou

Segundo documentos judiciais apresentados sexta-feira:

OpenAI deve entre:
US$ 65,5 bilhões e US$ 109,4 bilhões

Microsoft deve entre:
US$ 13,3 bilhões e US$ 25,1 bilhões

Total:
Até US$ 134 bilhões — mais que o PIB de países como Hungria ou Kuwait.

📜 A tese de Musk

O bilionário argumenta que suas contribuições iniciais como cofundador da OpenAI em 2015 geraram valor trilionário que foi capturado indevidamente pelas duas empresas.

Os pontos centrais:

1. Violação da missão original
Musk alega que a OpenAI foi fundada como organização sem fins lucrativos dedicada a desenvolver IA de forma aberta e segura para beneficiar a humanidade.

A reestruturação da OpenAI em 2019 para entidade com fins lucrativos (OpenAI LP) teria violado essa missão fundacional.

2. Apropriação de valor
As contribuições iniciais de Musk — capital, reputação, network — teriam criado a base para o sucesso atual da OpenAI (avaliada em US$ 157 bilhões) e, por extensão, da Microsoft (que investiu US$ 13 bilhões na OpenAI).

3. Enriquecimento sem causa
Conceito jurídico que diz: se você se beneficiou injustamente do trabalho ou recursos de outra pessoa, deve devolver o valor.

🛡️ A defesa: "campanha de assédio"

A OpenAI não está deixando barato. Em comunicado, a empresa chamou o processo de "sem fundamento" e parte de uma "campanha de assédio" de Musk.

Microsoft também rebateu:
Um advogado da empresa disse que "não há evidências" de que a Microsoft tenha "ajudado e instigado" a OpenAI a violar qualquer compromisso com Musk.

Ambas as empresas contestaram formalmente os pedidos de indenização em processo separado apresentado também na sexta-feira.

⏰ O julgamento começa em abril

Um juiz de Oakland, Califórnia, determinou que um júri será ouvido no julgamento.

Data prevista: abril de 2026

Importância do júri:
Em vez de um juiz decidir sozinho, 12 cidadãos comuns vão avaliar se:

  • Houve violação de acordo ou missão fundacional

  • Musk tem direito a compensação

  • Os valores pleiteados são razoáveis

Júris tendem a ser menos previsíveis que juízes em casos complexos de tecnologia e finanças.

Stablecoins devem movimentar até US$56 tri até 2030

CRYPTOS

Segundo projeção divulgada pela Bloomberg, os fluxos globais de pagamentos com stablecoins podem alcançar US$ 56,6 trilhões até 2030. Em 2025, o volume já bateu US$ 33 trilhões — alta de 72% em relação a 2024.

Os números que você precisa saber:

  • Volume em 2025: US$ 33 trilhões

  • Projeção pra 2030: US$ 56,6 trilhões

  • Crescimento anual composto: ~81% ao ano

  • Ponto de partida (2024): US$ 2,9 trilhões

Traduzindo: stablecoins saíram da categoria "coisa de nerd" e entraram pra disputa direta com meios tradicionais de pagamento (SWIFT, cartões, remessas bancárias).

*OBS: Você pode aprender o que é Stablecoin clicando aqui

O Brasil já tá DENTRO:

O impacto no Brasil é gigantesco:

  • ~90% do volume cripto negociado no país envolve stablecoins

  • Entre julho/2024 e junho/2025: brasileiros movimentaram R$ 318,8 bilhões em cripto

  • Isso representa quase 1/3 de toda a América Latina

Por que brasileiros usam tanto stablecoin?

A resposta tá no câmbio:

  • Em 2025, o dólar variou entre R$ 5,40 e R$ 5,80

  • Volatilidade do real faz brasileiro buscar proteção em dólar

  • Stablecoins são a forma mais rápida/barata de "dolarizar" patrimônio sem abrir conta no exterior

Casos de uso crescendo:

Stablecoins não são mais só pra trading. Hoje, servem pra:

1. Remessas internacionais:

  • Enviar dinheiro pro exterior sem taxas absurdas de banco

  • Receber pagamentos de fora instantaneamente

2. Proteção cambial:

  • Segurar "dólares digitais" quando o real tá caindo

  • Evitar perda de poder de compra

3. Pagamentos internacionais:

  • Empresas pagando fornecedores no exterior

  • Freelancers recebendo em dólar

4. DeFi (finanças descentralizadas):

  • Emprestar stablecoins e ganhar juros

  • Usar como garantia pra outros investimentos

5. Pressão de bancos centrais:

  • CBDCs (moedas digitais de bancos centrais) podem competir

  • Governos podem restringir uso de stablecoins privadas

E o Drex nisso tudo?

O Drex (moeda digital do Banco Central brasileiro) pode competir com stablecoins no futuro, mas:

  • Drex será real digital, não dólar

  • Stablecoins oferecem dolarização, que é o que brasileiro quer

  • Drex tem vantagem em integração bancária, mas perde em proteção cambial

Como fechou os mercados em 19/01/2026

🇧🇷Ibovespa: 164.849,23 pts

💸Dólar: R$5,37

📉S&P500: 6924,50 pts

🇪🇺Euro: R$6,29

Bitcoin: R$525.1K

💲Etherium: R$16.9K

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